25 de fevereiro de 2007


Em revista: Bazzar

É incrível como más impressões podem perdurar. Uma vez, nos tempos de Pero Vaz Caminha, provei um cordeiro fora do ponto no Bazzar. Estou longe de ser um gastrochato, mas aquilo me ofendeu. Sim, porque comida ao mesmo tempo fora de forma e do orçamento é agressão pessoal.

Pois muito governos depois, hoje voltei. A casa é de um cosmopolitismo agradável. Salão de luzes benéficas à tez, musiqueta de chiláute e recepção adocicada de Meire. A varandinha é carioca como deveria ser e o público ligeiramente paulista (de alma, digo) não incomoda nem acrescenta. Só compõe.

Dado o calor sufocante desta época, resolvi fazer o prudente: cair no rosé. Quem disse? Tinha mas acabara. Próximo palpite: um branco argentino (desculpem-me os enotensos, mas não me recordo o rótulo, do qual certamente ririam). Estava morninho e voltou pro gelo, para mais tarde ressuscitar meio grau melhor. Mas o céu estava bonito e as companhias, idem. Não sou azedo e perdoei.

Mimo da noite: no couvert, pão focaccia, levemente perfumado de limão, para ser molhado em dois tipos de azeite, que formavam no prato um padrão bicolor. Aplausos, maestro. Depois veio meu prato, um namorado com risoto de funcho e molho de tomate com manjericão. O peixe estava tinindo, com uma crosta delicada e um interior úmido. O risotinho fazia a cama macia e o o molho de tomate sem acidez excessiva, o travesseiro. Pooonto.

Terminamos com três crepinhos de Nutella, dos quais me cabia um e meio. As massas estavam com crocância nas beiradas, como convém. E o sorvete para acompanhar não era Kibon nem Yopa. Portanto, nada daquele gosto saponáceo industrializado. Grazie, signore. Foi o carinho que precisava para dormir feliz. E amanhã tem Casa da Táta.

2 comentários:

Chacal disse...

A cobertura de chocolate pra sorvetes do Bazzar, vendida no Zona Sul, é ótima.

Maria disse...

E na Casa da Tatá, como foi? Conta, conta...
Esse blog está uma delícia! Apetitoso, divertido e bem simpático.
Adorei.
Beijocas
Maria